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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Olhando pela fechadura...

Olá amigos do Frozen Pequi! Estive meio sumido por uns dias e tenho acompanhado as dúvidas de muitos amigos através do facebook e também aqui do blog. Tenho visto e ouvido o desabafo de muitos companheiros de caminhada insatisfeitos principalmente com a política, economia e a segurança de nosso pais, todos já cansados da opressão social e institucional brasileira, não é mesmo?
 Enxergo o projeto de imigração como uma porta. A porta é um elemento construtivo que tem função de ligar dois ambientes separados por uma parede, e pode ter a função de saída ou de entrada conforme a perspectiva do usuário. Da mesma maneira o processo de imigração pode ser visto por duas perspectivas diferentes fuga ou oportunidade. Muitos dos imigrantes que fracassam na sua tentativa de mudar de vida são justamente os que tem dificuldade de formar raízes mais profundas no país de destino. Essa dificuldade de adaptação geralmente está ligada a um processo de fuga do pais de origem, pelos mais diversos problemas, mas principalmente porque por detrás dos teclados e do mouse de nosso computador ainda não conseguimos enxergar a grandeza de todos os desafios a frente. Ao se deparar com essas dificuldades muitos começam a “olhar novamente para a grama do vizinho” que cada dia parece mais verde e esse processo dá origem ao que eu chamo de Individuo bumerangue. Bumerangue é aquela pessoa que, porque não tem mais medo de viajar, vive indo e voltando entre os dois países sem prosperar em nenhum deles; já que está sempre admirando do outro lado da cerca que será sempre mais verde.
 O primeiro passo para uma vida de sucesso fora do pais é ter consciência de que problemas e desafios também existirão na nova terra. Devemos lembrar que com o tempo nossas necessidades e prioridades podem mudar, e que talvez os desafios que enfrentaremos não sejam os mesmos que enfrentamos vivendo no Brasil hoje, mas sejam o suficiente para nos enviar de volta pra “casa”. Estou falando de fatores intangíveis como xenofobismo, racismo, diferença de valores morais, valores culturais, filhos, família e etc. Um grande exemplo de fator que pode mudar ao longo do processo é: o falecimento de um ente querido aqui no Brasil. Isso pode mudar toda nossa perspectiva, começaremos a pensar em como não pudemos passar o tempo que gostaríamos ao redor deles e etc; mas é claro que no auge de nosso vigor físico e da empolgação não nos damos nem ao direito nem de pensar sobre essas coisas, nao é mesmo?! Mas infelizmente isso pode mesmo acontecer e pode ser decisivo em sua futura tomada de decisão. Em momentos como esse o que mantém suas raízes firmes são o foco na oportunidade e em seu propósito. Por isso processos pautados na oportunidade tem mais chances de sucesso do que aqueles pautados na fuga.
Toda porta tem uma fechadura e a proposta deste blog é que deixemos de olhar somente pelo buraco da fechadura e possamos explorar um pouco mais desse vasto e desconhecido universo do outro lado da porta. Apesar que a maioria das pessoas com que converso estarem muito mais interessadas em como abrir a porta, tenho tentado alimentar o blog com temas que nos possibilitem levar daqui do Brasil ferramentas imprescindíveis para jornada além da porta, assim que ela for aberta. Exemplo disso são os textos sobre Estudo, Finanças, Desafios do Cotidiano, Cover Letter, Resume, Job Interview e Profissões Regulamentadas.




No post de hoje poderemos ver a perspectiva de uma pessoa que já está do outro lado. Teremos mais adiante uma entrevista do Frozen Pequi com a Ursula Ferreira. Ursula é uma estudante brasileira que acabou chegar em Winnipeg para um programa de estudos, e por ter o parâmetro de comparação com o Brasil ainda bem recente pode nos dar uma noção dos pequenos desafios diários. Segue abaixo a entrevista:
    
            Apresentação (nome, profissão, cidade de origem, há quanto tempo mudou-se para o Canadá e para qual cidade)
      Ursula Ferreira, estudante, Rio de Janeiro. Cheguei em Winnipeg dia 1 de janeiro desse ano.

      Como surgiu a ideia de ir para o Canadá? E a família, como ficou? Seria sua primeira experiência fora do país?
      Eu sempre quis fazer intercambio. Como já conhecia o Canada, assim que surgiu a oportunidade, eu aproveitei. Já estive aqui antes, em 2011, só que fui pra outra cidade (Vancouver) e passei um mês lá, fazendo um curso de inglês. Foi minha primeira experiência tão longe de casa, mas como foi só por um mês minha família ficou mais tranquila. Agora, vim pra ficar um ano. Muito chororô no aeroporto, rs.

3     Quanto tempo de preparação entre a ideia e a viagem? Pode nos dizer como foi? Como se preparou quanto ao idioma?
      Como sou estudante de Letras Inglês-Literaturas, já estou acostumada com a língua então não foi nenhum problema pra mim. O resto da viagem eu comecei a planejar muito antes, tipo, um ano antes. Rs. É que eu tive que juntar dinheiro, ver se a faculdade daqui ia me aceitar, acertar os documentos todos, etc. Melhor prevenir do que remediar, né hehe.
      
      E aí qual foi sua primeira impressão ao chegar? (oficiais de imigração, funcionários de organizações públicas, população em geral, colegas, professores e etc)
      Como eu já vim pro Canada antes, eu já vim com expectativas muito altas. O pessoal foi super legal comigo, gentil e receptivo, como eu esperava. Mas uma coisa diferente de Vancouver é a população. Em Vancouver tem muitos asiáticos, muitos!, às vezes nem parecia que eu tava no Canadá. Haha. Já em Winnipeg, tem muitos indianos. Enfim, uma coisa em comum em quase todas as cidades do Canadá é que tem muitos imigrantes.

       E o frio? É realmente tão intimidador assim? Como está enfrentando essa obstáculo?
      SIM!!!!!!!! Hahaha cheguei no início de Janeiro, no meio do inverno, a temperatura estava por volta dos -40. Foi bem complicado. Pra fazer qualquer coisa era um parto. Ir ao supermercado com essa temperatura devia ser um esporte olímpico (sério). Não tem muito o que fazer, né, só colocar muitas camadas de roupas e rezar pra que o vento não te carregue hahaha.
      Uma coisa boa desse frio todo é que quando começa a ficar quente de novo as pessoas ficam mais felizes, saem mais, e tal. As estações são bem marcadas aqui e a primavera e o verão trazem essa sensação de felicidade, é engraçado. (Mas sinceramente não sei o que é pior, os +40 do Rio ou os -40 de Winnipeg.)
            Além do frio, o que mais te chamou atenção na cidade? Quais as opções de lazer? Tem tido muito tempo para lazer?
Winnipeg certamente não é a cidade mais linda do mundo, não tem muitos pontos turísticos, é uma cidade pequena. O que mais me chamou atenção foi a pista pra patinação no gelo natural que eles fizeram aqui: é um rio enorme! Agora, na primavera, esse rio tá descongelando e eu fiquei maravilhada. É realmente muito interessante as estações serem tão marcadas, assim.  

       Existem diferenças quanto ao ensino superior no Brasil e no Canadá? Quais?
 Aqui tem muito dever de casa. Muito. Muito, mesmo. E são coisas enormes, relatórios de 10 páginas e coisas do tipo. Eles também não tem muito o costume de passar provas, preferem passar trabalhos.  O ensino não é mais difícil nem nada assim, só demanda mais esforço do aluno.
Outra pessoa pode ter uma impressão diferente da minha, e essa impressão pode variar dependendo do curso, também.

8    Como é a sua rotina durante a semana e finais de semana? Alguma coisa que gostaria de fazer mas ainda não consegue?
Durante a semana eu só vou pra faculdade e faço os trabalhos e as leituras que preciso. Deixo pra sair nos finais de semana. Gostaria de poder trabalhar pra ter uma grana extra, mas só poderei em junho.

9    Qual aspecto do cotidiano que para nós que estamos no Brasil, você acha mais difícil de prever? 
Achei difícil a pergunta, então vou falar coisinhas pequenas mas que são bem diferentes do Brasil:
1-      Não faça sinal pro ônibus
2-      Água é de graça nos restaurantes
3-      O motorista do ônibus não anda com troco, vc tem que ter um ticket ou o dinheiro certinho da passagem (isso me irrita um bocado rs)
4-      Não tem metrô (!!!!)

    Como é a comida? Foi fácil se acostumar?
Não é muito diferente, não. Só não tem as coisas típicas do Brasil, né, mas a gente sobrevive. De resto, é normal. Só precisa da paciência (e habilidades) pra cozinhar, hehe.
O Canada não tem nenhuma comida típica. Que eu me lembre, eles tem só Maple Syrup – que é tipo um mel, que vc coloca em panquecas, torradas e tal – e Poutine – batata frita com molhos esquisitos. Não gosto. (e onde que batata frita é comida típica, gente? hahaha)
  
1    Quanto tempo pretende ficar no Canadá?
Vou ficar um ano, que é o tempo de duração do meu intercâmbio.
1    
     O que foi que eu não te perguntei mas, que você gostaria de ter respondido?
Os planos de celular aqui são muito loucos. Me fez até sentir falta da TIM. Hahaha
Roupas são realmente mais baratas. Comprei uma jaqueta de couro (falso obvio né galera) por 15 dólares semana passada!  

Agradecimentos...
       Se eu estou aqui hoje, é principalmente por causa do meu pai. Ele me ajudou muito, desde o início, me dando muita força pra continuar atrás dos meus sonhos. Ele e toda a minha família foram (e são) fundamentais pra mim nesse processo todo.

     
         


   Gostaria de agradecer a Úrsula por participar do Frozen Pequi, e pela disponibilidade de ajudar a nós que ainda estamos em fase de preparação. Se alguém que já estiver vivendo no Canadá e tem uma perspectiva diferente ou mesmo que queira simplesmente participar desse projeto ficaremos felizes de publicar uma entrevista com você! Agora se você frequenta o blog e tem alguma curiosidade sobre o Canadá, ficaremos felizes de pesquisar com você e fazer um post sobre isso, é só mandar um e-mail para aventura.canada2015@gmail.com.

Abraço!


Odilon.

6 comentários:

  1. Que legal!!bem que falou sobre a entrevista,muito boa!Esse não tem metrô que pega,no frio (quase sempre) deve fazer falta!!rsrs

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    1. É justamente nessa hora que um carro, mesmo velho, faz falta!

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  2. Olá, também estou em Winnipeg, MB, posso dizer que estou muito feliz com a cidade, apesar dos -50 que eu oeguei em FEV,, a cidade é ótima, Manitoba é linda!!!

    Parabéns pelo Post, ótimo post!!!

    http://williamrumoaocanada.blogspot.com.br/

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    1. Olá William! Obrigado pelo comentário! Tenho a mesma impressão que você. Mas por Winnipeg se tratar de uma cidade com menos de 1 milhao de habitantes, pessoas que estão acostumadas a correria de metrópoles como Rio ou Sao Paulo podem realmente achar meio monótono. Se bem que com a crise de violencia que temos enfretado no Brasil um pouco de monotonia faria muito bem! Rsrsrs

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  3. Muito interessante a ideia da entrevista! =]

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